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A VITICULTURA DE ALTITUDE NO PLANALTO CATARINENSE (PARTE 2)

Eng. Agrônomo Dr.Jean Pierre Rosier

O RELEVO E OS SOLOS

O relevo de altitude em sua maioria varia de suavemente ondulados até fortemente ondulados com declives longos e alguma presença de patamares com presença de vegetação de campos de altitude.

Em Santa Catarina, nos locais de altitude, os solos são principalmente do tipo cambissolos álicos de origem basáltica, Terra bruna estruturada e latossolo bruno em sua maioria de horizontes superficial húmicos. A  textura predominante é a argilo-arenosa, mas diferem quanto a profundidade e quanto a quantidade de pedras. Podemos afirmar que geralmente em São Joaquim os solos são extremamente pedregosos e rasos nos patamares, em alguns locais chegam com dificuldade a 60 cm de profundidade. Já em Bom Retiro, e Urupema são mais profundos e compostos de uma argila um pouco mais pesada. São igualmente profundos em Campo Belo do Sul e em Tangará na serra do Marari onde são considerados latossolos bruno/roxos cujas argilas que os compõem são mais leves, finas e pegajosas. No caso de Água Doce são igualmente profundos com argilas finas e um pouco mais arenosos que os demais, sendo considerados do tipo cambissolos álicos de origem basáltica, Terra bruna estruturada litólicos arenosos e siltosos.

Portanto não existe uma uniformidade entre os solos que compõe as regiões vitícolas de altitude, o que por sua vez também contribui para que seus produtos se distingam por tipicidades particulares, apesar de receberem praticamente as mesmas influências climáticas dadas à altitude.

Como características comuns entre os solos podem ser citadas os elevados teores de matéria orgânica, que graças às baixas temperaturas médias anual reduzem as atividades microbianas mantendo elevados os teores de matéria orgânica. O ph ácido com presença de teores de alumínio trocável e baixa saturação de bases são outras constantes encontradas e tornam imprescindíveis as correções calcáreas em doses elevadas no momento da implantação dos vinhedos.

Observa-se de forma empírica que os vinhos tintos produzidos nas regiões de solos mais rasos e pedregosos os teores de taninos são superiores assim como sua intensidade. Já nos compostos por maioria de argilas finas apresentam taninos mais leves e elegantes porem sem a mesma potência dos anteriores.

AS VARIEDADES MAIS SIGNIFICATIVAS

Comercialmente as variedades mais plantadas são o Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay sobre o porta-enxerto Paulsen 1103.  Existem também boas áreas de Sauvignon blanc, Pinot noir, Malbec, e Sangiovese entre uma gama de experiências principalmente de variedades de origem italiana como a Montepulciano e a Vermentino.

O FATOR HUMANO

Os empresários que acreditaram nos resultados da pesquisa e investiram nestas regiões, em sua maioria, são sdistinto dos tradicionais produtores de vinho existentes em Santa Catarina. São provenientes de outras áreas de atuação e via de regra utilizam em suas atividades de origem altas tecnologias e foi com essa visão que implantaram parreirais e construíram vinícolas dentro dos padrões mais modernos existentes.

Os técnicos que passaram a atuar nestas áreas tiveram que praticar um aprendizado que todo o pioneirismo requer, e os funcionários de campo e de cantina foram sendo formados com o passar dos anos de trabalho e até hoje continuam a ser um dos gargalos da produção.

ENOTURISMO

O crescimento da viticultura e a produção de vinhos nestas regiões trouxeram consigo uma demanda dos consumidores em poder visitar, degustar e se hospedar. As vinícolas, em grande parte, se estruturaram para receber os turistas na própria vinícola junto à produção ou construíram locais receptivos apropriados para este fim. Ainda de forma insipiente a hospedagem nas cidades onde se localizam as zonas de produção tem se valido da infraestrutura de cidades vizinhas para suprir a crescente demanda que o sucesso dos vinhos tem atraído.

A MAIORIDADE DA REGIÃO

Os jovens 18 anos que se passaram desde o início dos trabalhos da descoberta até o sucesso atual em 2017 tiveram uma trajetória de grandes responsabilidades. Os primeiros vinhos comerciais datam de 2004. Atualmente com 15 anos de atividades profissionais, que é um engatinhar para o longevo mundo do vinho, os empresários que duramente apostaram acreditando em um futuro promissor já estão vivendo o sucesso garantido pelas medalhas obtidas em concursos tanto nacionais como internacionais e se antes eram desacreditados e desconhecidos galgaram a notoriedade em relação aos demais vinhos do país.

Atualmente está sendo implantada na prática a utilização de uma marca coletiva que caracterize a normatize os vinhos de altitude do planalto catarinense. Os olhares para o futuro vislumbram trabalhos em prol de obter uma IG (indicações Geográficas) e posteriormente DOCs (denominações de origem controlada) que permitam aos consumidores obterem uma certificação que lhes transmita uma segurança ainda maior.

Os produtores de vinhos de altitude têm a certeza de que ainda tem muito por fazer para obter a consolidação de um mercado, mas que agora o veleiro saiu do porto e os ventos estão a favor, e que é primordial continuar navegando com a devida segurança.

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